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Peste – Capítulo III

e-escolhawebPraça dos Três Poderes: 14:00.

A tranquilidade na praça foi interrompida pelos estalos e explosões de um motor em estado terminal. Um estranho grupo vaga pelas ruas desertas da cidade em uma Combi cor de laranja.

– Aí caras, é nossa chance – disse com um sorriso estranho Jeremias, um rapaz que bem poderia passar-se por um aplicado estudante secundarista, não fossem as olheiras e os olhos saltados indicando o uso continuado de drogas estimulantes cerebrais.Tinha o nariz largo e os dentes tortos. Não era nenhum galã.


Tinha o Q.I. de um gênio. Orgulhava-se de ser, na própria opinião, um dos mais prodigiosos gênios que a humanidade jamais conhecera.

– Temos que encontrar essas crianças e manda-las para o inferno… de onde nunca deveriam ter saído. – continuou com olhar louco. – Sonhei que estamos perto do fim. O apocalipse é próximo e nós, os anjos, que fomos enviados por Deus para garantir que tudo saia como Ele planejou, temos que evitar que essas crianças infernais caiam novamente nas mãos do doutorzinho. Não posso acreditar que as tivemos nas mão e as deixamos escapar. Isso é mais uma prova a que o Pai está nos submetendo para provarmos nosso valor.

– Arcanjo! Otto chamou pelo rádio e informou que já os cortamos da rede – falou com voz estridente um rapaz moreno, com o rosto cheio de erupções também causadas pelas drogas.

– Ótimo! Essa parte do plano vai bem. Primeiro Moscou… agora o laboratório central – parou por uns instantes, respirou profundamente e permaneceu de olhos fechados como que fazendo uma oração. – Vamos lá! Vamos cumprir nosso desígnio sagrado – concluiu.

Continuavam sua busca, em alta velocidade, pelas abandonadas ruas da capital. Os enormes e imponentes edifícios que outrora abrigaram os ministérios da república,  eram agora monumentos lúgubres à moribunda raça humana. Passaram como um raio pela catedral, um maravilhoso exemplo da genialidade arquitetônica do passada, que parecia muito mais distante do que realmente estava.

“Nem um sinal das pestinhas” pensou o desvairado líder dos “Anjos do Apocalipse”.

– Já vasculhamos tudo por aqui. Para onde vamos agora? – perguntou a garota de cabeça raspada e olhos lindamente azuis, que estava ao volante, parecendo um tanto insegura. Suas pálpebras trêmulas e olhos lacrimejantes não deixavam dúvida. Já fora contaminada, mas isso não tinha importância. O fim estava próximo.

– Não se preocupem. Estamos sendo guiados pela mão de Deus. Nada pode sair errado… vamos por ali.

Continua…

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MigX

Engenheiro, funcionário público, metido a escritor e ilustrador... Publicou na Quark, Scarium e e-nigma. Membro fundador da Oficina de Escritores, vem tentando sua própria jornada do herói na vida, e a viagem do escritor, nos blogs e na OE.

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