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Um Estranho Casal

Para que meus amigos conheçam as letras de Ismael Serrano e, talvez, entendam o motivo pelo qual gosto tando.

Tradução livre de “Una Extraña Pareja”, Ismael Serrano, Album: Atrapados en Azul (1995)

Eram conhecidos pelas ruas do bairro
Conhecidos em todos os bares e botecos (tavernas)
Ele tão sério, tão alto, tão pálido e delgado
Ela morena e frágil, tão graciosa e pequenaEle rondava mais ou menos os cinquenta
Ela devia ter, não mais que vinte e quatro
Ele dava aulas, creio, na universidade
Ela, creio, fazia um curso de italiano
Bebiam e se amavam, ou isso parecia
Discutiam as vezes, as vezes sorriam
Se beijavam e adiavam, mas ninguém é prefeito
O amor é difícil e estranho nestes tempos

A noite debilita aos corações
Noites de funeral, de vinho e rosas
Brindemos pelo amor e seus fracassos
Quiçá podamos escolher nossa derrota
O sol limpa as ruas e a memória
Ferozes paixões atenua
Invente o final de cada história
Que o amor, é eterno enquanto dura

Ele entrou uma noite ao bar de costume
Ia vestido todo, de rigoroso luto
Venha bêbado e sozinho, trazia o gesto serio
E entre as mãos uma coroa de defuntos
Ela o havia deixado, nos explicou sereno
E havia decidido considera-la morta
E brindar por seu esquecimento e seu descanso eterno
E celebrar seu enterro de boteco (taverna) em boteco
Foi assim que lá fomos nós, e para que contar-lhes
Copos, vinhos e risadas, alguma vomitona
Abraços de amisade, eterna aquela noite
Requiescat e brindemos, por ela e sua memória

A noite debilita aos corações
Noites de funeral, de vinho e rosas
Brindemos pelo amor e seus fracassos
Quiçá podamos escolher nossa derrota
O sol limpa as ruas e a memória
Ferozes paixões atenua
Invente o final de cada história
Que o amor, é eterno enquanto dura

Ao sair da bodega, já estava muito bêbado
Caiu no asfalto e me inclinei ao seu lado
Soube que estava morrendo de repente
Disse algo ao meu ouvido, desfei-se em meus braços
Foi levado pela ambulancia com a sua coroa e tudo
E eu parti para cumprir, seu encargo maldito
Cheguei ao bar, que ele havia me indicado
E procurei a garota (muchacha) entre a fumaça e o barulho
Por fim a vi, dançava muito lentamente
Refugiada no cálido peito de um rapaz (muchacho)
Lhe contei e me ouviu, abraçou-se com seu par
Eu não sei se chorou, apenas não se via

A noite debilita aos corações
Noites de funeral, de vinho e rosas
Brindemos pelo amor e seus fracassos
Quiçá podamos escolher nossa derrota
O sol limpa as ruas e a memória
Ferozes paixões atenua
Invente o final de cada história
Que o amor, é eterno enquanto dura

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MigX

Engenheiro, funcionário público, metido a escritor e ilustrador... Publicou na Quark, Scarium e e-nigma. Membro fundador da Oficina de Escritores, vem tentando sua própria jornada do herói na vida, e a viagem do escritor, nos blogs e na OE.

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