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Cientistas treinam computador para ler sua mente!

Imagem mostra os padrões de ativação do cérebro correspondentes a “somar” e “subtrair”Estadão
Um computador, treinado por cientistas para interpretar imagens de ressonância magnética do cérebro, é capaz de adivinhar o que você está pensando em fazer – mas, por enquanto, só se suas intenções se limitarem a fazer uma conta de somar ou subtrair.

No entanto, o cientista responsável pelo estudo, John-Dylan Haynes, do Instituto Max Planck da Alemanha, acredita que essa não é uma limitação essencial, e que no futuro será possí­vel – se a sociedade quiser – ter máquinas capazes de ler vários tipos de pensamentos e intenções secretos, apenas acessando imagens o cérebro.

Haynes explica que o computador usado em sua pesquisa, descrita na edição de 20 de fevereiro do periódico Current Biology, foi preparado de forma semelhante aos sistemas usados para identificar impressões digitais. “Cada pensamento é associado com um padrão único de atividade cerebral, mais ou menos como cada indiví­duo tem sua própria digital. Nós treinamos o computador para reconhecer as ´digitais cerebrais´ de pensamentos”, diz ele.

Para executar a “leitura da mente”, os cientistas pediram que voluntários optassem por uma de duas tarefas – somar ou subtrair números – se concentrassem na decisão e, depois, a executassem, ao ver os algarismos surgindo numa tela. Haynes e seus colegas afirmam que foram capazes de adivinhar a intenção dos voluntários com 70% de precisão, apenas analisando a atividade cerebral – antes mesmo que os números aparecessem.

Os voluntários escolheram a operação matemática em segredo, sem saber quais os números que seriam apresentados. Esse protocolo foi adotado para separar a atividade mental da tomada de decisão da de, efetivamente, fazer a conta, evitando erros de interpretação nos sinais captados pela ressonância magnética.

Entrevista de emprego

Embora prever que conta uma pessoa pretende fazer não seja exatamente como prever se alguém vai cometer um crime ou casar-se, Haynes diz que, “em princí­pio”, o único limite para a capacidade do computador é “a necessidade de aprender os padrões associados a cada pensamento que se quer ler”.

O cientista acredita que a tecnologia poderá se aplicar, até mesmo, a situações mais abertas, onde as pessoas se veem confrontadas com mais de duas opções: “Já foi demonstrado que é possí­vel ler mais de duas escolhas, pelo menos para sensações visuais simples. No caso (de nossa pesquisa) estávamos interessados em ter pensamentos extremamente simétricos, e somar e subtrair pareceram a escolha natural”.

Uma primeira possibilidade de aplicação prática para o trabalho seria no desenvolvimento de sistemas de controle de próteses – por exemplo, um braço biônico capaz de ler o desejo de tomar um café diretamente na mente de seu usuário, e reagir de acordo.

Mas Haynes não descarta a viabilidade técnica de usos mais polêmicos, como identificar intenções criminosas, mais ou menos como se vê no filme Minority Report, de Steven Spielberg: “Em princí­pio, isso poderia ser possí­vel, mas acho que dependeria de ter scanners mais sensí­veis e móveis. Digamos, que caibam num boné”. Aparelhos de ressonância magnética atuais pesam várias toneladas. O pesquisador, no entanto, leva a ideia um passo além: “Nos casos em que pudéssemos trazer os indiví­duos até o scanner isso não seria relevante. Poderí­amos trazer um criminoso até o scanner”, pondera.

“A questão é se realmente queremos essas aplicações. Há aplicações boas, como interfaces para pacientes paralí­ticos. Mas há más aplicações concebí­veis”, reconhece o cientista, como usar a técnica em entrevistas de emprego para saber o que o candidato realmente pensa do novo patrão. “Tenho certeza de que todos concordam que não queremos isso. Precisamos de um debate público para decidir o que, como sociedade, queremos e não queremos fazer”.

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MigX

Engenheiro, funcionário público, metido a escritor e ilustrador... Publicou na Quark, Scarium e e-nigma. Membro fundador da Oficina de Escritores, vem tentando sua própria jornada do herói na vida, e a viagem do escritor, nos blogs e na OE.

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