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As ferrementas básicas para um bom livro/roteiro – Telegrama

Encontrei em algum lugar na web. Se o autor se sentir atingido pela publicação, por favor entre em contato e retiramos, ou colocamos os devidos créditos. Apenas achei o conteúdo muito bom. Para os que, como eu desejam aprender o ofí­cio da escrita.

Vamos começar.
Mandamento número um, repita comigo:

NÃO ENTEDIAREI MEU PÚBLICO

Mas como?

Um roteiro quando obtém sucesso, é um organismo vivo, no sentido de que ele “trabalha” para criar antecipação no leitor, em vez de ser apenas uma resma de papel impressa e sem vida. Portanto, nosso objetivo é direcionar sua atenção para o futuro, para o que vem a seguir.

Vamos falar, primeiramente, das quatro ferramentas mais usadas pelos roteiristas para atingir esse objetivo, em ordem crescente de importância.

Ferramenta #1: Telegrama

Consiste em contar explicitamente para o público o que irá acontecer no futuro da narrativa. Um telegrama verbal, por exemplo, seria quando um personagem diz ao outro “me encontre no Fórum às treze horas”, sendo este também chamado de agendamento.

Um telegrama visual seria, por exemplo, uma família arrumando as malas para ir embora, colocando itens de praia, como bronzeadores, sungas, cadeiras de praia, etc.
O que sugere em qual direção a história está indo. Um roteirista mais desavisado poderia neste instante cair na tentação de adicionar o telegrama verbal “vamos para à praia!”, insultando assim a inteligência de seu público e perdendo tempo precioso da narrativa.

Ambos os tipos de telegrama ajudam a resolver um dos desafios da narrativa do cinema que é a seletividade: o que é visto em cena é apenas uma fração da narrativa. Por exemplo, se um personagem diz ao outro que irão se encontrar no Fórum, podemos cortar direto para o Fórum sem maiores explicações ou sem confundir o público, sem a necessidade de alguma exposição que explique por que estão ali.

Outra ferramenta bastante usada é o falso telegrama, onde indicamos para o público para onde a história se encaminha, então, mudamos surpreendentemente. Exemplo: nosso amigo personagem marca de se encontrar no Fórum às treze horas com sua mãe, mas é raptado no caminho, gerando um exemplo de reviravolta surpresa. Esse tipo de técnica tem marcado o cinema há décadas, e essa reviravolta só funciona se fizermos o público antecipar algo. Uma pessoa sequestrada na cena de abertura do filme não caracteriza uma reviravolta, pois nenhuma expectativa foi criada na mente do espectador/leitor.

Outro tipo de telegrama é o chamado prazo ou relógio. Um exemplo seria um personagem dizer para o outro: “Você tem até o meio-dia para conseguir o dinheiro do resgate”. Isso não só indica para o público para onde a história está indo, como também coloca uma pressão de tempo no personagem, o que intensifica a participação emocional do público.

Embora telegramas sejam geralmente usados apenas como sistema de suporte da narrativa, em algumas ocasiões têm sido usados de maneira mais profunda. Em Beleza Americana, logo após os créditos iniciais Lester Burnham anuncia numa narração em voice-over, “Daqui a um ano, estarei morto”.Esse prazo, literalmente falando, cria uma expectativa instantânea e ajuda a dar forma à história. Mais adiante, ele informa ao público: “Em uma semana estarei morto”, e próximo ao final: “hoje é o último dia de minha vida”. Sem essas três frases fundamentais talvez a participação do público estivesse comprometida, pois o filme contém poucos elementos que direcionam nossa atenção para o futuro.

Resolvi dividir o post, não deixe de ler sobre as demais ferramentas. Um abraço.

Publicado pela primeira vez, em 4 de julho de 2007.

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MigX

Engenheiro, funcionário público, metido a escritor e ilustrador... Publicou na Quark, Scarium e e-nigma. Membro fundador da Oficina de Escritores, vem tentando sua própria jornada do herói na vida, e a viagem do escritor, nos blogs e na OE.

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